30 septiembre 2014

ENTREVISTA a Frei BENTO DOMINGUES, o GOLEADOR de DEUS

Desafiámos a escritora Lídia Jorge para uma entrevista com alguém que conheceu nos seus tempos de estudante universitária e a quem tem seguido, sobretudo pela escrita: o dominicano Frei Bento Domingues. Falou-se da essência do ser, do Bem e do Mal, da PIDE e de literatura, do riso e da alegria. O resultado daria para cinco entrevistas.
Fazer esta entrevista foi uma experiência única. Nunca fiz uma na minha vida, e provavelmente não voltarei a fazer outra. Porque aceitei o convite do PÚBLICO? Porque a proposta envolvia o Frei Bento Domingues, pessoa de quem fui próxima quando era estudante da Faculdade de Letras de Lisboa e ele frequentava a residência Domus Nostra, onde eu vivia. Depois, a ligação que fui mantendo com ele foi de papel. Através de livros e artigos. Ultimamente, através das crónicas agora reunidas nos dois volumes que motivaram a homenagem que lhe foi prestada na Gulbenkian. Estive lá entre os seus amigos. Pensei, então, que reencontrar-me com este homem, para uma fala demorada, seria uma forma de celebrar o correr do tempo. E assim foi.
Quando, no domingo passado, surgiu ao alto das escadas do Convento dos Dominicanos, em Lisboa, de braços abertos pelo atraso, foi como se não houvesse tempo. É o mesmo rapaz que na altura tinha andado por Salamanca e Roma, tinha sido perseguido e preso pela PIDE, era uma das cabeças mais arejadas da Igreja portuguesa, então submersa em beatério, e queria mudar o mundo. O mesmo rapaz que veio das montanhas com o mistério do eco na cabeça, lia Sartre e São Tomás de Aquino.

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